Quem é Diogo Monteiro Eu sabia medir o impacto da economia sobre a natureza. Ninguém tinha me ensinado a medir o contrário.
Passei 16 anos no licenciamento ambiental, mineração, energia, resíduos, siderurgia. Dei o possível e o impossível. Até voltar, num inverno, a um dos lugares mais bonitos que eu já tinha ido na vida, cachoeiras, água cristalina, natureza pristina de milhões de anos, e encontrar tudo aquilo sendo destruído por uma obra que eu tinha ajudado a licenciar.
Procurei o erro. Um estudo malfeito, uma condicionante não cumprida, alguma coisa que explicasse. Não encontrei. Nada tinha dado errado, e o lugar tinha acabado.
Demorei a entender que a falha não estava no processo. Estava na direção da pergunta. Eu tinha passado a carreira calculando o que um empreendimento faz com a natureza, e ninguém tinha me ensinado a calcular o que a natureza pode fazer por todos nós.
Foi quando larguei o licenciamento e passei seis anos em startups, venture capital e M&A, aprendendo uma segunda língua, a do capital. Biólogo, formado em Sustentabilidade pelo MIT, hoje meu trabalho é construir pontes. Porque quando você inverte a pergunta, a natureza para de ser patrimônio a proteger e vira o que sempre foi: 3,8 bilhões de anos de pesquisa aplicada, disponível, e doida pra entrar na planilha. Minha missão é colocar essa conta do lado certo, a começar pelo país que tem mais a ganhar com ela.